quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Muito além de uma pesquisa.

Em um dia de frio agudo e recheado de preguiça tive que enfrentar a 4ª condução do dia para chegar em um bairro distante do meu já distante doce lar.

Confesso que a fadiga quase se transformou em má vontade sob efeito do forte calor que parecia onipresente até mesmo ao lado da janela aberta.

Era necessário, pois seria um dos responsáveis pela visita da instituição Casa São Vicente de Paula e para assim realizar uma pesquisa de faculdade.

Após alguns minutos para me localizar na avenida desconhecida pude perceber pela grande pintura que estampava o muro que o grande terreno pelo qual havia passado algumas vezes sem reparar era o endereço marcado como sendo o da Ong.

Devido ao atraso pela procura não consegui acompanhar a visita desde o início, chegando no momento em que minha colega já era apresentada aos aposentos e aos seus hóspedes.

Os dormitórios dipostos no centro do local em moldes de vila proporcionam liberdade de locomoção e de interação entre os habitantes do local.

Pelos largos corredores vi idosos que carregavam consigo algo além das feições carregadas de carência, soavam para mim como retratos vivos de uma vida inteira e rapidamente acabaram com o sentimento da obrigação de estar ali.

Dessa forma cada quarto revelava uma história que era ludicamente representada pelos detalhes presentes na decoração e pelo jeito que éramos recebidos por cada um.

Dona Terezinha de 102 anos não escondeu a sua alegria de ser visitada e ainda se disse envergonhada de não "trabalhar" durante o dia, já Dona Lourdes sua companheira de quarto se queixava de não ser possível ficar o dia inteiro descansando devido a supervisão constante de sua amiga.

Foram momentos divertidos que comprovaram que as visitas são sem dúvida o maior fator de motivação para eles que demonstram imensa satisfação em contar suas histórias e exibir os trabalhos manuais realizados nas oficinas que participam.

São permitidas diariamente à partir das 15:00 hrs durando cerca de uma hora para que não interfiram nos regrados horários da casa e aos sábados começando às 13:00hrs até às 16:00.

A próxima visita será realizada no próximo sábado e espero contar pelo blog de maneira mais pessoal a história de alguns de seus personagens, já que foram rápidas lições de vida que merecem destaque sob outro prisma que não só o técnico e acadêmico solicitado pela Universidade.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quem sabe mais do que só nós vivemos?

É tudo boato, o fato é que só nós sabemos
Deixe pra lá essa marra do dedo que aponta
Não há concordancia em mudar o final
Faz de conta
Que nada que digam fez em ti menção de mudar
Hoje sou do seu mundo , constante , falem o que falar...

Trela só pra quem merecer
Seu olhar chamou de longe isso só eu vou entender...

Recruta zero

Recruta Zero

O personagem Recruta Zero ( Beetle Bailey) foi criado por Mort Walker na década de 50, inicialmente criado como um jovem universitário muito preguiçoso e que mantinha sempre os olhos cobertos por um chapéu.

A tira não obtinha sucesso, até que Walker teve a idéia de alistar o personagem ao exército americano no ano de 1951 aproveitando o nacionalismo que se fazia muito forte devido a Guerra da Coréia.

As histórias então passam a ser retratadas no fictício Quartel Swampy, com todos os personagens sendo declaradamente inspirados na experiência do artista em seus tempos de exército.

Sempre muito indolente e preguiçoso retratava os jovens da época que não tinham aspiração nenhuma de empunhar armas em um front de batalha e que não viam significado algum nisso.

O recruta se tornou uma forte critica ao sistema americano e ao mesmo tempo a diversão favorita para os jovens soldados que nele se reconheciam.

Em pouco tempo a tira deixou de ser um fracasso para se tornar sucesso absoluto no país, passando a ser publicada em mais de 100 jornais diferentes, mantendo até hoje esse sucesso e sendo ainda uma das tiras americanas mais publicadas.

O sucesso de sua sátira ao serviço militar, onde o esperto soldado sempre se dá bem enrolando seus superiores, acabou gerando grandes problemas à publicação que considerada pelas autoridades como afronta ao exército chegou a ser proibida entre os folhetins distribuídos aos soldados.

A partir de então o cartunista passou a evitar associações dos quadrinhos aos fatos reais, o que antes era realizado sem pudor algum.

Enredo:

Dentro do Quartel Swampy o recruta enfrenta diversas situações que apresentam sempre como fio condutor as burocracias e confusões causadas pela hierarquia do exército e pela falta de reconhecimento desta por Zero.

Seu hostil algoz é o Sargento Tainha que o trata constantemente com autoridade e violência, apesar de ser retratado como um brutamontes de bom coração, é a maneira encontrada por Walker para demonstrar sua visão sobre a interferência do ambiente militar no homem e de como os valores vendidos por um sistema podem moldar de maneira contundente a peronalidade de alguém.

Ao mesmo tempo em que bate e persegue seu subordinado Tainha também demonstra laços afetivos e preocupação com o seu bem, muitas vezes tal zêlo é o que lhe faz ser enganado, mas isso não deixa de ser um reconhecimento por parte do esperto soldado que no fundo sabe que o maior desejo de seu superior é que se torne tão obcecado por disciplina quanto ele.

O sargento tem em seu cachorro Otto o seu fiel escudeiro e espião contra as armações dos soldados.

O chefe de Tainha é chamado General Dureza e é o retrato mais ácido dentro do universo criado.

Sempre com um copo de martini às mãos e obedecendo cegamente à sua mulher, Martha, o velho oficical vive pela esperança de ser reconhecido pelo governo como um grande militar, como isso nunca ocorre sempre recorre à bebida como confidente.

Desta forma estava feita a crítica a falta de reconhecimento por parte do governo aos que dedicam suas vias à interesses de um Estado.

Quase todos os personagens foram duramente criticados por teoricamente serem resultados de estereótipos combatidos

Existe o cozinheiro Cuca que prepara alimentos tão ruins que não são aproveitados por nenhum dos presentes em Swampy levando sempre um cigarro na boca, o amigo Dentinho que sofre por ser limitado intelectualmente e que sempre acaba comprometendo à todos com suas confusões, além de Srta Tetê uma das secretárias do General Dureza que é a típica "loura burra" e sua companheira de ofício Miss Blips preterida sempre por não possuir os mesmos atributos fisícos.

Mort Walker afirma sempre que todos os personagens e histórias são resultado das próprias contradições da sociedade americana e que não tinha culpa por trazê-los às suas páginas

Apesar de todo desconforto causado no iníco de sua publicação Recruta Zero tem o mérito de ser a publicação que teve o primeiro personagem negro dos quadrinhos norte-americanos, em 1970 surgia Tenente Mironga e seu inconfundível "black power".

As tiras continuam a ser publicadas em diversos veículos pelo mundo, iclusive no Brasil , sendo editada desde 1991 pelo O Estado de S. paulo. e por outros jornais como: Zero Hora, A Tarde e O Estado de Minas

Houve também a produção de seu desenho que mostrava a história desde os tempos de faculdade até o ingresso na vida militar, exibido por terras brasileiras no ano de 2004 pela Tv Record.

A vida do personagem parece não ter prazo de validade e seus famosos lemas "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã" e "É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga" parecem ser tão duradouros quanto a política de guerra americana.
Texto inicial

Os Simpsons foi exibido pela primeira vez em 1989 pela emissora Fox. A série é escrita pelo cartunista e filósofo Matt Groening e é vista como uma critica estereotipada a sociedade norte americana e consequentemente ao modo de vida capitalista. A trama trás reflexões sobre a troca do trabalho por dinheiro e o paradoxo de enfrentar longas horas de trabalho para, depois, descansar um pouco, de produzir dinheiro para com ele comprar coisas que alguém decide por nós. Pode-se alongar a discussão e falar a respeito da influência que os meios de comunicação de massa têm em nossas vida, a convivência com valores cristãos e definições de bem e mal, a escolha de um modo de vida e o antiintelectualismo americano.

“a ausência da personalidade desforra-se sempre; aquele tipo de personalidade que é
frágil, enfraquecida, apagada, que nega e renega a si própria, deixa de ter valor para
o que quer que seja, principalmente para a filosofia. A “renúncia” não tem valor,
nem no céu nem na terra; os grandes problemas exigem todos o grande amor, e só os
espíritos vigorosos, nítidos e duros, de raiz sólida, são capazes desse grau de amor”
(NIETZSCHE, 2006, p. 184).

A origem do desenho

A série tiras Life is Heel do autor Matt Groening, chamou a atenção do produtor de Hollywood Jim Brooks que pediu, em 1987, ao autor que a transformasse em desenho animado. Mas o criador, relutante em ceder os direitos autorais de seus personagens, que discutiam a respeito de sexo, amor, trabalho e morte, à rede Fox, resolveu reformular tudo, nascendo assim Os Simpsons.

(Foto da tira antiga)

Repercussão Americana

O Presidente Norte Americano George W. Bush (pai) criticou o desenho e declarou a sociedade: “ A nação precisa ficar mais perto dos Waltons que dos Simpsons”, referindo-se s a um seriado em todos integrantes da família são meigos. A primeira Dama Bárbara Bush também falo: "Os Simpsons são a coisa mais estúpida que eu já vi".
Em resposta, os produtores colocaram no Ar o episódio Um novo Vizinho, no qual Bush, se muda para Spriegfield.

Homer: a caricatura do homem vicioso.
Aristóteles classificou o caráter do ser humano em 4 tipos: Super- Homem, Virtuoso, Continente e Bestial.
O homem virtuoso é aquele que possui muitas virtudes. Ele age voluntariamente de maneira certa, seus valores visam o bem comum. Um exemplo claro disso é a personagem Lisa. Se Lisa encontrar uma carteira de dinheiro na rua, irá, imediatamente, entrega-la intacta às autoridades responsáveis e se sentirá realizada com isso, ainda partirá da premissa que os receptores irão agir de forma correta.
Homer é o oposto da descrição acima, o personagem não possui virtudes, portanto é classificado como um homem vicioso. A escolha de reservar seu tempo livre, primordialmente, para assistir TV, tomar cerveja e comer rosquinha, norteia a ironia dos hábitos de vida da classe média norte americana. Extremamente acomodado, Homer tem um estilo de vida medíocre: trabalha em uma fábrica na qual não cumpri nenhuma função essencial, tem um carro popular, uma casa, uma mulher, três filhos e um cachorro. Extremamente volúvel a estímulos, o personagem não resiste a nada que lhe é “vendido” e não contesta as oportunidades que lhe aparecem. Por vezes, insiste naquilo que não lhe faz bem, apenas pelo habito de fazê-lo ou para suprir a vontade causada pelos estimulos. Nenhum de seus atos é pré-meditado.

Lisa e a luta contra o antiintelectualismo americano
Lisa é o oposto do pai. A menina de 8 anos é vegetariana, feminista, defensora da minoria e a consciência da família Simpsons e de Sprignfield. A criança passa boa parte dos episódios envolvida em meio a uma crise existencial e pensamentos socráticos diante de uma sociedade que julga ser “vazia”. Sua luta é sempre em prol do bem estar da comunidade e do “antiintelectualismo americano”. Lisa contesta tudo que lhe é oferecido e faz link com diversos fatos da História Americana. Entre seus momentos de laser está ler, tocar saxofone e ouvir Jazz. A música admirada pela menina, é fruto de um movimento negro em Nova Orleans o que ressalta ainda mais sua caricatura.

Margie e o equilíbrio da Família

A esposa Simpsons, tem papel fundamental no equilíbrio da família. Aceita todas as peripécias do marido e de seus filhos e não expõe suas vontades pessoais, senti-se satisfeita em servir a casa. Sua personalidade pode ser associada o pensamento de Lao-Tsé (ou Lao Zi), o filosofo chinês acredita que há muito o que aprender com o silêncio. Seus ensinamentos são visto como de suma importância ao povo oriental e sua história, também pode ser associada com a personagem em questão. Lao Tzu, como também era chamado, foi guardião dos arquivos do tribunal imperial, e segundo Brecht responsável por extrair a sabedoria dos documentos:
Mas não celebremos apenas o sábio
Cujo nome resplandece no livro!
Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.
Por isso agradecimento também se deve ao aduaneiro:
Ele a extraiu daquele
Poemas de Svendborg, Marcus V. Mazzari, Copenhagen 1939
Margie motiva os integrantes da familia e segue o ensinamento de simplicidade de Tsé, vivendo de forma natural com base na bondade, serenidade e respeito. Não há registro, em nenhum epsódio, da personagem apressando alguma situação, ou agindo conforme uma conduta rígida.

Bart e os valores Cristãos
O personagem puxa uma discusão a respeito de ética, moral e moralidade. Primeiro definimos os três conceitos:
Moral é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o
comportamento individual e social dos homens [...] Encontramos na moral dois
planos: o normativo: constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos
que enunciam algo que deve ser. E o factual: que é o plano dos fatos morais,
constituído por certos atos humanos que se realizam efetivamente (VASQUEZ,
2000, p.63)
Moralidade Esta distinção entre o plano normativo (ou ideal) e o fatual (real ou prático) leva
alguns autores a propor dois termos para designar cada plano: moral e moralidade. A
moral designaria o conjunto dos princípios, normas, imperativos ou idéias morais de
uma época ou sociedade determinadas. A moralidade seria um componente efetivo
das relações humanas concretas que adquirem um significado moral em relação à
moral vigente (VASQUEZ, 2000, p.66).
Ética: A parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do
ser humano e do seu destino, estatui princípios e valores que orientam pessoas e
sociedades. Um pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções.
Dizemos, então, que tem caráter e boa índole (BOFF, 2003, p. 37).
Cria-se, diante da junção dos três conceitos, a referencia de Bem e Mal, ou o representante de bem ou mal. Bart sempre opta por vias questionáveis para conseguir o que se propõe a fazer e confunde diversas vezes o bem aparente com o bem real, isto é, enxerga que a algumas atitudes (como ao invés de estudar pra prova, rezar para o motorista bater o ônibus, ou nevar) são válidas e resultaram no alcance da meta estipulada, enquanto na verdade o que aparentemente é visto como Mal, é a via do bem. Platão, dizia que é necessário superar a barreira das aparências.
Em geral a malandragem e a criatividade individual do menino Simpsons para triblar os sistemas morais ou legais, são vistos como de extrema Inteligência pela sociedade. Para Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, Levinas ética é agir de acordo com a racionalidade e o bem, mas o fato do personagem criticar a moral do sistema, ou seja a norma (ou caminho) dito como correto para chegar no desejado trás uma reflexão a respeito identidade subjetiva, ou seja o fato da criança questionar a moral estabelecida, não o torna alguém “não-ético”. Somos humanos pela relação com os outros, a moral é
só a argamassa que dá possibilidade para essa necessidade ontológica que temos, logo a rotulação de “ser mal” é um equivoco social e individual.
“Os filósofos, tão logo se ocupavam da moral como ciência, exigiam de si mesmos,
como uma seriedade cerimoniosa que faz rir, algo de muito mais elevado, mais
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pretensioso, mais solene. Eis que pretendiam a fundamentação da moral. Daí que
todo filósofo julgou ter até agora fundamentado a moral. A própria moral, porém,
era considerada como ‘dada’. Quão distante do seu torpe orgulho estava essa tarefa,
aparentemente modesta e deixada ao pó e ao bolor, de descrever a moral, conquanto,
para a realizar, dificilmente servissem as mãos e os sentidos mais delicados [...] em
toda ciência da moral, apresentada até hoje, tem faltado ainda, por mais fantástico
que possa parecer, o problema da própria moral. Tem faltado a suspeita de que
pudesse nela existir algo de problemático”
(NIETZSCHE, 2003, p.100-101)