Texto inicial
Os Simpsons foi exibido pela primeira vez em 1989 pela emissora Fox. A série é escrita pelo cartunista e filósofo Matt Groening e é vista como uma critica estereotipada a sociedade norte americana e consequentemente ao modo de vida capitalista. A trama trás reflexões sobre a troca do trabalho por dinheiro e o paradoxo de enfrentar longas horas de trabalho para, depois, descansar um pouco, de produzir dinheiro para com ele comprar coisas que alguém decide por nós. Pode-se alongar a discussão e falar a respeito da influência que os meios de comunicação de massa têm em nossas vida, a convivência com valores cristãos e definições de bem e mal, a escolha de um modo de vida e o antiintelectualismo americano.
“a ausência da personalidade desforra-se sempre; aquele tipo de personalidade que é
frágil, enfraquecida, apagada, que nega e renega a si própria, deixa de ter valor para
o que quer que seja, principalmente para a filosofia. A “renúncia” não tem valor,
nem no céu nem na terra; os grandes problemas exigem todos o grande amor, e só os
espíritos vigorosos, nítidos e duros, de raiz sólida, são capazes desse grau de amor”
(NIETZSCHE, 2006, p. 184).
A origem do desenho
A série tiras Life is Heel do autor Matt Groening, chamou a atenção do produtor de Hollywood Jim Brooks que pediu, em 1987, ao autor que a transformasse em desenho animado. Mas o criador, relutante em ceder os direitos autorais de seus personagens, que discutiam a respeito de sexo, amor, trabalho e morte, à rede Fox, resolveu reformular tudo, nascendo assim Os Simpsons.
(Foto da tira antiga)
Repercussão Americana
O Presidente Norte Americano George W. Bush (pai) criticou o desenho e declarou a sociedade: “ A nação precisa ficar mais perto dos Waltons que dos Simpsons”, referindo-se s a um seriado em todos integrantes da família são meigos. A primeira Dama Bárbara Bush também falo: "Os Simpsons são a coisa mais estúpida que eu já vi".
Em resposta, os produtores colocaram no Ar o episódio Um novo Vizinho, no qual Bush, se muda para Spriegfield.
Homer: a caricatura do homem vicioso.
Aristóteles classificou o caráter do ser humano em 4 tipos: Super- Homem, Virtuoso, Continente e Bestial.
O homem virtuoso é aquele que possui muitas virtudes. Ele age voluntariamente de maneira certa, seus valores visam o bem comum. Um exemplo claro disso é a personagem Lisa. Se Lisa encontrar uma carteira de dinheiro na rua, irá, imediatamente, entrega-la intacta às autoridades responsáveis e se sentirá realizada com isso, ainda partirá da premissa que os receptores irão agir de forma correta.
Homer é o oposto da descrição acima, o personagem não possui virtudes, portanto é classificado como um homem vicioso. A escolha de reservar seu tempo livre, primordialmente, para assistir TV, tomar cerveja e comer rosquinha, norteia a ironia dos hábitos de vida da classe média norte americana. Extremamente acomodado, Homer tem um estilo de vida medíocre: trabalha em uma fábrica na qual não cumpri nenhuma função essencial, tem um carro popular, uma casa, uma mulher, três filhos e um cachorro. Extremamente volúvel a estímulos, o personagem não resiste a nada que lhe é “vendido” e não contesta as oportunidades que lhe aparecem. Por vezes, insiste naquilo que não lhe faz bem, apenas pelo habito de fazê-lo ou para suprir a vontade causada pelos estimulos. Nenhum de seus atos é pré-meditado.
Lisa e a luta contra o antiintelectualismo americano
Lisa é o oposto do pai. A menina de 8 anos é vegetariana, feminista, defensora da minoria e a consciência da família Simpsons e de Sprignfield. A criança passa boa parte dos episódios envolvida em meio a uma crise existencial e pensamentos socráticos diante de uma sociedade que julga ser “vazia”. Sua luta é sempre em prol do bem estar da comunidade e do “antiintelectualismo americano”. Lisa contesta tudo que lhe é oferecido e faz link com diversos fatos da História Americana. Entre seus momentos de laser está ler, tocar saxofone e ouvir Jazz. A música admirada pela menina, é fruto de um movimento negro em Nova Orleans o que ressalta ainda mais sua caricatura.
Margie e o equilíbrio da Família
A esposa Simpsons, tem papel fundamental no equilíbrio da família. Aceita todas as peripécias do marido e de seus filhos e não expõe suas vontades pessoais, senti-se satisfeita em servir a casa. Sua personalidade pode ser associada o pensamento de Lao-Tsé (ou Lao Zi), o filosofo chinês acredita que há muito o que aprender com o silêncio. Seus ensinamentos são visto como de suma importância ao povo oriental e sua história, também pode ser associada com a personagem em questão. Lao Tzu, como também era chamado, foi guardião dos arquivos do tribunal imperial, e segundo Brecht responsável por extrair a sabedoria dos documentos:
Mas não celebremos apenas o sábio
Cujo nome resplandece no livro!
Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.
Por isso agradecimento também se deve ao aduaneiro:
Ele a extraiu daquele
Poemas de Svendborg, Marcus V. Mazzari, Copenhagen 1939
Margie motiva os integrantes da familia e segue o ensinamento de simplicidade de Tsé, vivendo de forma natural com base na bondade, serenidade e respeito. Não há registro, em nenhum epsódio, da personagem apressando alguma situação, ou agindo conforme uma conduta rígida.
Bart e os valores Cristãos
O personagem puxa uma discusão a respeito de ética, moral e moralidade. Primeiro definimos os três conceitos:
Moral é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o
comportamento individual e social dos homens [...] Encontramos na moral dois
planos: o normativo: constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos
que enunciam algo que deve ser. E o factual: que é o plano dos fatos morais,
constituído por certos atos humanos que se realizam efetivamente (VASQUEZ,
2000, p.63)
Moralidade Esta distinção entre o plano normativo (ou ideal) e o fatual (real ou prático) leva
alguns autores a propor dois termos para designar cada plano: moral e moralidade. A
moral designaria o conjunto dos princípios, normas, imperativos ou idéias morais de
uma época ou sociedade determinadas. A moralidade seria um componente efetivo
das relações humanas concretas que adquirem um significado moral em relação à
moral vigente (VASQUEZ, 2000, p.66).
Ética: A parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do
ser humano e do seu destino, estatui princípios e valores que orientam pessoas e
sociedades. Um pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções.
Dizemos, então, que tem caráter e boa índole (BOFF, 2003, p. 37).
Cria-se, diante da junção dos três conceitos, a referencia de Bem e Mal, ou o representante de bem ou mal. Bart sempre opta por vias questionáveis para conseguir o que se propõe a fazer e confunde diversas vezes o bem aparente com o bem real, isto é, enxerga que a algumas atitudes (como ao invés de estudar pra prova, rezar para o motorista bater o ônibus, ou nevar) são válidas e resultaram no alcance da meta estipulada, enquanto na verdade o que aparentemente é visto como Mal, é a via do bem. Platão, dizia que é necessário superar a barreira das aparências.
Em geral a malandragem e a criatividade individual do menino Simpsons para triblar os sistemas morais ou legais, são vistos como de extrema Inteligência pela sociedade. Para Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, Levinas ética é agir de acordo com a racionalidade e o bem, mas o fato do personagem criticar a moral do sistema, ou seja a norma (ou caminho) dito como correto para chegar no desejado trás uma reflexão a respeito identidade subjetiva, ou seja o fato da criança questionar a moral estabelecida, não o torna alguém “não-ético”. Somos humanos pela relação com os outros, a moral é
só a argamassa que dá possibilidade para essa necessidade ontológica que temos, logo a rotulação de “ser mal” é um equivoco social e individual.
“Os filósofos, tão logo se ocupavam da moral como ciência, exigiam de si mesmos,
como uma seriedade cerimoniosa que faz rir, algo de muito mais elevado, mais
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pretensioso, mais solene. Eis que pretendiam a fundamentação da moral. Daí que
todo filósofo julgou ter até agora fundamentado a moral. A própria moral, porém,
era considerada como ‘dada’. Quão distante do seu torpe orgulho estava essa tarefa,
aparentemente modesta e deixada ao pó e ao bolor, de descrever a moral, conquanto,
para a realizar, dificilmente servissem as mãos e os sentidos mais delicados [...] em
toda ciência da moral, apresentada até hoje, tem faltado ainda, por mais fantástico
que possa parecer, o problema da própria moral. Tem faltado a suspeita de que
pudesse nela existir algo de problemático”
(NIETZSCHE, 2003, p.100-101)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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