Recruta Zero
O personagem Recruta Zero ( Beetle Bailey) foi criado por Mort Walker na década de 50, inicialmente criado como um jovem universitário muito preguiçoso e que mantinha sempre os olhos cobertos por um chapéu.
A tira não obtinha sucesso, até que Walker teve a idéia de alistar o personagem ao exército americano no ano de 1951 aproveitando o nacionalismo que se fazia muito forte devido a Guerra da Coréia.
As histórias então passam a ser retratadas no fictício Quartel Swampy, com todos os personagens sendo declaradamente inspirados na experiência do artista em seus tempos de exército.
Sempre muito indolente e preguiçoso retratava os jovens da época que não tinham aspiração nenhuma de empunhar armas em um front de batalha e que não viam significado algum nisso.
O recruta se tornou uma forte critica ao sistema americano e ao mesmo tempo a diversão favorita para os jovens soldados que nele se reconheciam.
Em pouco tempo a tira deixou de ser um fracasso para se tornar sucesso absoluto no país, passando a ser publicada em mais de 100 jornais diferentes, mantendo até hoje esse sucesso e sendo ainda uma das tiras americanas mais publicadas.
O sucesso de sua sátira ao serviço militar, onde o esperto soldado sempre se dá bem enrolando seus superiores, acabou gerando grandes problemas à publicação que considerada pelas autoridades como afronta ao exército chegou a ser proibida entre os folhetins distribuídos aos soldados.
A partir de então o cartunista passou a evitar associações dos quadrinhos aos fatos reais, o que antes era realizado sem pudor algum.
Enredo:
Dentro do Quartel Swampy o recruta enfrenta diversas situações que apresentam sempre como fio condutor as burocracias e confusões causadas pela hierarquia do exército e pela falta de reconhecimento desta por Zero.
Seu hostil algoz é o Sargento Tainha que o trata constantemente com autoridade e violência, apesar de ser retratado como um brutamontes de bom coração, é a maneira encontrada por Walker para demonstrar sua visão sobre a interferência do ambiente militar no homem e de como os valores vendidos por um sistema podem moldar de maneira contundente a peronalidade de alguém.
Ao mesmo tempo em que bate e persegue seu subordinado Tainha também demonstra laços afetivos e preocupação com o seu bem, muitas vezes tal zêlo é o que lhe faz ser enganado, mas isso não deixa de ser um reconhecimento por parte do esperto soldado que no fundo sabe que o maior desejo de seu superior é que se torne tão obcecado por disciplina quanto ele.
O sargento tem em seu cachorro Otto o seu fiel escudeiro e espião contra as armações dos soldados.
O chefe de Tainha é chamado General Dureza e é o retrato mais ácido dentro do universo criado.
Sempre com um copo de martini às mãos e obedecendo cegamente à sua mulher, Martha, o velho oficical vive pela esperança de ser reconhecido pelo governo como um grande militar, como isso nunca ocorre sempre recorre à bebida como confidente.
Desta forma estava feita a crítica a falta de reconhecimento por parte do governo aos que dedicam suas vias à interesses de um Estado.
Quase todos os personagens foram duramente criticados por teoricamente serem resultados de estereótipos combatidos
Existe o cozinheiro Cuca que prepara alimentos tão ruins que não são aproveitados por nenhum dos presentes em Swampy levando sempre um cigarro na boca, o amigo Dentinho que sofre por ser limitado intelectualmente e que sempre acaba comprometendo à todos com suas confusões, além de Srta Tetê uma das secretárias do General Dureza que é a típica "loura burra" e sua companheira de ofício Miss Blips preterida sempre por não possuir os mesmos atributos fisícos.
Mort Walker afirma sempre que todos os personagens e histórias são resultado das próprias contradições da sociedade americana e que não tinha culpa por trazê-los às suas páginas
Apesar de todo desconforto causado no iníco de sua publicação Recruta Zero tem o mérito de ser a publicação que teve o primeiro personagem negro dos quadrinhos norte-americanos, em 1970 surgia Tenente Mironga e seu inconfundível "black power".
As tiras continuam a ser publicadas em diversos veículos pelo mundo, iclusive no Brasil , sendo editada desde 1991 pelo O Estado de S. paulo. e por outros jornais como: Zero Hora, A Tarde e O Estado de Minas
Houve também a produção de seu desenho que mostrava a história desde os tempos de faculdade até o ingresso na vida militar, exibido por terras brasileiras no ano de 2004 pela Tv Record.
A vida do personagem parece não ter prazo de validade e seus famosos lemas "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã" e "É engraçado como o tempo voa quando a gente está de folga" parecem ser tão duradouros quanto a política de guerra americana.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
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